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Considerada a melhor atleta de futebol feminino de todos os tempos, Marta relembra o começo no Vasco

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Treino descalça, jornal na chuteira, início no Vasco, resposta ‘torta’ à Suécia: Marta relembra o começo

espnW.com.br

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Brasileira foi eleita cinco vezes a melhor do mundo pela Fifa
Brasileira foi eleita cinco vezes a melhor do mundo pela Fifa

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Uma carta emocionante para uma versão mais jovem dela mesma, endereçada à Marta de 14 anos, que se preparava para deixar a pequena cidade de Dois Riachos, em Alagoas, rumo ao Rio de Janeiro, onde tentaria a sorte no futebol. Cinco vezes eleita a melhor jogadora do mundo pela Fifa e considerada a melhor atleta de futebol feminino de todos os tempos, a brasileira publicou, nesta quinta-feira, um texto cheio de lembranças no site ‘The Players Tribune’, em que personalidades do esporte contam suas histórias.

Aos 31 anos, a atacante – hoje no Orlando Pride, dos Estados Unidos – relembra episódios desde a infância pobre, os preconceitos que sofreu e a primeira oportunidade da carreira, no Vasco até a descrença quando recebeu uma ligação da Suécia, que virou sua segunda casa.

“Querida Marta, de 14 anos de idade, entre no ônibus. Eu sei o que você está pensando. Eu sei o que você está sentido. Não pense nisso… No quanto você está assustada… No quanto você está nervosa… No quanto todo mundo disse que você não podia fazer isso… Que você não deveria fazer isso… Este ônibus… te levará para realizar o teu sonho, o sonho de se tornar uma jogadora de futebol profissional. E te levará para muito mais.” Assim começa a carta.

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Marta, atualmente, defende o Orlando Pride, dos EUA
Marta, atualmente, defende o Orlando Pride, dos EUA

Marta lembra que era a única menina em sua cidade apaixonada por futebol.

“Crescendo numa cidade pequena como Dois Riachos, você se impôs. Mas não pelo seu talento. Não, você recebeu olhares estranhos e comentários maldosos todos os dias simplesmente porque você era uma garota. Uma garota que amava futebol. Não havia outras garotas jogando futebol. E as pessoas faziam questão de deixar isso claro para você. ‘Ela não é normal’. Eles sempre tinham aquele plano estúpido. Você pode jogar, eles diziam, mas só com o time formado por jogadores do bairro que não eram tão bons.Isso não importava. Porque mesmo quando você jogava com os meninos que não tinham habilidade com a bola nos pés, o seu time ainda vencia. Você dribla rápido, você joga num curto espaço de tempo e pensa rápido.”
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Quando chegou ao Rio de Janeiro ainda precisou esperar até que lhe chamassem para a peneira.

“Você vai dormir numa cama de lona na sala. E logo ao teu lado, todos os dias quando acordar, você verá as suas chuteiras de futebol no canto da casa… esperando. Você trouxe chuteiras novas para o teste. Mas olhando para elas você se recorda das chuteiras lá de casa. Aquelas que trouxeram você para este momento. Você sabe de quais chuteiras eu estou falando. Aquelas que foram dadas para você pelo avô de seu colega de time. Você se lembra do dia em que ele as deu para você? Sem mais treinos com pés descalços. Sem mais ter de pedir emprestado para alguém para jogar. Você tem o seu próprio par. Um número maior, que você terá de compensar com jornal no dedão para que elas sirvam.”
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Mais adiante, relembra que sofreu preconceito no Vasco, sendo chamada de ‘bicho do mato e caipira’, mas venceu dentro de campo, mostrando seu futebol. Depois de um ano e meio, o presidente do clube carioca acabou com o futebol feminino, e Marta foi jogar no Santa Cruz, de Minas Gerais. Disputou a Copa do Mundo sub 20 da FIFA no Canadá em 2002 e, no ano seguinte, a Copa do Mundo da FIFA nos Estados Unidos. Chamou a atenção da mídia sueca.

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Atacante jogou na Suécia, que virou sua segunda casa
Atacante jogou na Suécia, que virou sua segunda casa

“‘Alô? Sim, eu sou Odin Barbosa e eu trabalho com o presidente do Umeå IK. E nós gostaríamos que você assinasse um contrato para vir jogar conosco’. Acontece que Odin que está falando ao telefone tem um forte sotaque português de Portugal. Então, você vai acreditar que se trata de algum tipo de trote. Por que alguém da Suécia estaria ligando para você? E falando em português de Portugal? Você sequer pode apontar onde é que fica a Suécia no mapa. Sim, é claro, você jogou contra a Suécia, mas você não sabe nada a respeito daquele país. ‘F***-se’.”

Uma Copa feminina da UEFA… sete ligas nacionais…um gol aos 42 minutos do segundo tempo para conquistar a Copa da Suécia.  Duas medalhas de prata em Olimpíada com a seleção brasileira, Atenas-2004 e Pequim-2008, e dois ouros em jogos Pan-Americanos, Santo Domingo-2003 e Rio de Janeiro-2007. Tudo mudou. Marta não mais se questionou sobre seu talento.
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“Você é uma mulher. E você é uma jogadora de futebol. Eu sei que tudo isso parece muito distante agora, de pé na estrada olhando para o ônibus. Mas está tudo ali. E o primeiro passo está a mais 2000km de distância. Acredite em você mesma. Acredite nos teus instintos. E você vai descobrir por que Deus te deu este talento. Você não vai mais perguntar por quê. E as outras pessoas também não vão perguntar. Entre no ônibus.” Assim termina a carta.

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