Sócios da urna 7 depõem e relatam irregularidades na afiliação ao Vasco

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Três das 475 pessoas que votaram na polêmica urna 7 nas eleições do Vasco prestaram depoimento na 17ª Delegacia (São Cristóvão), na última terça-feira. Em comum, além de estarem na mesma urna cujos votos estão sub judice por determinação da Justiça, eles relataram que se associaram fora do período que permitiria participar da eleição e que jamais pagaram mensalidades. Além disso, citaram Nilson Gonçalves, diretor do futebol de base do clube, como um dos responsáveis pelas afiliações deles ao Vasco.

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Em dois relatos, Nilson aparece como responsável por entregar as fichas aos sócios e orientá-los no preenchimento. Dois deles dizem ter ido à casa do dirigente, em Copacabana, para pegar suas carteirinhas. Uma delas estaria com um CPF inexistente, de acordo com o sócio. No terceiro depoimento, parentes de Nilson são citados. Os nomes dos depoentes, por ora, serão mantidos em segredo para resguardar suas identidades.

Amigos viram sócios através de Nilson

Os dois associados que implicam diretamente Nilson são amigos. Um diz ter sido abordado pelo dirigente durante um evento no CT de Manguinhos, onde a base do Vasco costuma treinar, em dezembro de 2016. Depois, ligou para seu amigo oferecendo a ele a possibilidade de ser sócio também.

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Diante da resposta positiva, ambos pegaram fichas cadastrais. Eles as preencheram sem colocar a data de admissão, conforme orientação de Nilson Gonçalves, relatam. Ambos retiraram a carteira de sócio entre agosto e setembro de 2017, na residência de Nilson.

Nilson Gonçalves, de camisa social, posa com Álvaro Miranda e outros funcionários da base do Vasco (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)

Nilson Gonçalves, de camisa social, posa com Álvaro Miranda e outros funcionários da base do Vasco (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)

Segundo os dois, eles nunca receberam boletos de cobrança de mensalidades desde que assinaram as fichas – tampouco pagaram qualquer valor à secretaria. Eles também garantem que nunca tiveram qualquer contato pessoal ou por telefone com funcionários ou representantes do Vasco, nem receberam dinheiro ou tiveram qualquer benefício por parte do clube.

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Um dos sócios relata, inclusive, que tentou comprar ingresso como sócio para o jogo contra o Vitória, mas foi impedido:

“O declarante se dirigiu à bilheteria de sócio a fim de comprar ingresso para o referido jogo, porém a atendente informou que o declarante não era sócio do Vasco e que, por isso, não lhe concederia desconto, tendo o declarante comprado o ingresso como torcedor comum.”

Grilo e os sócios de Magé

Em outro relato, de um morador de Magé, a figura central é o mecânico de automóveis Claudio Marcelo de Oliveira, mais conhecido como Grilo. Ele concorreu ao cargo de vereador em Magé nas eleições do ano passado. Com o nome de “Grilo da Oficina”, ele concorreu pelo PRTB e teria contado com apoio de Nilson Gonçalves.

O depoente afirma que foi procurado pelo mecânico entre março e maio de 2017 para saber se gostaria de se associar ao Vasco, “que para receber o título, (…) não precisaria pagar nada, apenas votar em Eurico Miranda na data da eleição.”.

Além da testemunha, sua mãe e seu irmão também assinaram as fichas, mas não preencheram campo algum, “para posterior preenchimento”. Meses antes da eleição, o sócio recebeu um telefonema de uma funcionária do Vasco que seria sobrinha de Nilson, cobrando a entrega de fotografias para a confecção da carteirinha.

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Ficha de Grilo como candidato a vereador de Magé; segundo sócio, Nilson Gonçalves o apoiou em campanha (Foto: Reprodução)

Ficha de Grilo como candidato a vereador de Magé; segundo sócio, Nilson Gonçalves o apoiou em campanha (Foto: Reprodução)

O sócio afirma ainda que ele e seu irmão foram levados por Grilo para São Januário no dia da eleição. Sua mãe e sua irmã foram conduzidas por sobrinhos de Nilson Gonçalves. Segundo a testemunha, sua irmã, apesar de não ser sócia, também votou na eleição.

Em dado momento do relato, o sócio explica o procedimento para regularizá-lo:

“Ao chegar para votar, acompanhado de seu irmão e Grilo, o declarante foi encaminhado à urna sete(…). Diante disso, fez contato com Grilo e perguntou se haveria algum problema, sendo orientado por Grilo a ficar tranquilo, uma vez que a ficha já estaria sendo preenchida desde outubro de 2015 e com mensalidades pagas. Que Grilo ficou de enviar os boletos pagos posteriormente ao declarante por intermédio de X (funcionária do Vasco e sobrinha de Nilson), enviando, inclusive, os dos familiares do declarante. Que Grilo afirmou que as mensalidades continuariam a ser pagas por sua equipe por um grande lapso temporal, para não levantar suspeita. Que foi orientado por Grilo, caso questionado, a afirmar que pagou as mensalidades em dinheiro.”

O caso

A Justiça determinou que 691 sócios do Vasco votassem numa urna separada na eleição – todos eles se associaram nos dois últimos meses de 2015, quando se registrou um número acima da média de adesões.

Na eleição, esta urna fez a diferença na vitória de Eurico: 90% dos votos foram a favor do presidente. A desembargadora Maria Cecília Pinto Gonçalves pediu que o clube comprovasse a regularidade dos 475 sócios que votaram – os documentos foram entregues na noite de terça-feira.

Agora, um perito judicial irá analisar os documentos e dar um parecer, para que a desembargadora tome uma decisão sobre anular ou não os votos da urna. Em caso de anulação, Julio Brant, candidato da oposição, ultrapassa Eurico na votação.

Vasco e depoentes respondem

O GloboEsporte.com entrou em contato Nilson Gonçalves, mas não obteve resposta. Um dos depoentes procurado pelo GloboEsporte.com negou que tivesse ido à delegacia. Os outros dois não atenderam as ligações, mas responderam ao pedido de entrevista por WhatsApp com textos iguais em que não irão se manifestar publicamente sobre o assunto. Eles afirmam ainda que não divulgaram o documento e que não autorizam a divulgação de seus dados pessoais.

A reportagem entrou em contato com Grilo, mas ele afirmou que não tem nada a declarar. Perguntado se não queria nem saber quais eram as perguntas que iriam ser feitas, Grilo respondeu que não. Por fim, questionado qual era a relação que ele tinha com Nilson Gonçalves, Grilo voltou a responder que não tinha nada a declarar e desligou.

O GloboEsporte.com também buscou a assessoria de imprensa da Polícia Civil, que ficou de entrar em contato com a delegada que cuida do caso para informar mais detalhes nesta quinta-feira.

O Vasco também foi procurado, e respondeu com uma nota que o GloboEsporte.com reproduz na íntegra abaixo:

“Respeitem o Vasco e a Justiça

Como já dissemos, tudo tem limite. Passadas 24 horas desde a última manifestação, o Vasco da Gama vem a público novamente para pedir responsabilidade por parte dos meios de comunicação e adversários políticos, sem o que o único prejudicado será o clube.

Nos últimos dias, tem se repetido nos jornais um mesmo padrão: supostos sócios, falando em anonimato (portanto sem o peso da responsabilidade judicial de responderem pelo crime de calúnia) têm feito narrativas sobre supostas tentativas de aliciamento por parte da diretoria.

O próprio Vasco da Gama, o maior interessado na lisura do pleito, não foi procurado e nem tem conhecimento oficial dos fatos, o que revela parcialidade na ação de indivíduos que procuram primeiramente as autoridades sem cuidar de informar o clube, a comissão eleitoral ou o conselho deliberativo. Agora vão à delegacia informar fatos para colher um termo de declaração com o único objetivo de entregar aos jornais para criar uma aura de suspeição. A quem enganam?

Todos sabem que num colégio eleitoral limitado como um clube de futebol, o número de sócios votantes é uma preocupação de todas as chapas. É normal, portanto, que as chapas tentem fazer o maior número de sócios simpatizantes à sua causa. O Vasco da Gama não tem nenhuma responsabilidade nisso.

O Vasco não pode ser responsabilizado por nenhum desses movimentos que ocorrem por parte de todas as chapas. Há crime na obtenção de novos sócios? Não, desde que absolutamente dentro do que manda o Estatuto. Mas há crime na calúnia. Há crime na difamação. Há crime na tentativa torpe de travestir de ações ilegais o que na verdade são procedimentos lícitos, adotados por todos os envolvidos na disputa, dentro dos limites do estatuto do clube.

Tudo nas reportagens é feito para colocar uma capa de desconfiança, desonestidade e perigo onde há apenas uma disputa entre os que pretendem presidir o Vasco, o que é justo e lícito. Mas qual o interesse de jogar sobre a disputa uma aura de crime? A resposta é: querem criar uma onda fictícia na opinião pública com o objetivo de influenciar a Justiça.

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Por isso, o Vasco da Gama, em nome de sua gigante tradição, vem a público pedir que cessem tais tentativas torpes e aparentemente orquestradas de difamação. Que se aguarde o resultado da decisão judicial nas ações em tramitação. E que se coloque a instituição acima de tudo e de todos.”

Fonte: Globoesporte.com

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